Defesa Civil italiana prevê retirada do Costa Concórdia até setembro
A retirada do Costa Concordia, o transatlântico encalhado há um ano perto da ilha toscana de Giglio, será realizada em setembro, no mais tardar, anunciou neste sábado o chefe da Defesa Civil italiana, Franco Gabrielli.
O local lembra no domingo um ano do naufrágio que deixou 32 mortos.
Será uma operação "de caráter totalmente excepcional", que levará em conta os riscos para o ambiente, destacou o chefe. Os trabalhos de retirada foram do navio de 114,5 mil toneladas foram adiados em diversas oportunidades.
As famílias das vítimas, os sobreviventes e a companhia Costa Concordia lembrarão o primeiro aniversário do naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia com missas, cultos e cerimônias na pequena ilha toscana de Giglio
Na noite de 13 de janeiro de 2012, o navio que transportava 4.299 pessoas, entre elas 3.200 turistas, encalhou próximo às margens da ilha de Giglio depois de bater numa rocha a 300 metros da costa.
As cerimônias vão começar no domingo às 9h (7h no horário de Brasília). Uma placa com o nome das vítimas será fixada em um rochedo no mar e, em seguida, uma missa será celebrada na igreja que acolheu durante a madrugada os primeiros sobreviventes do naufrágio.
Uma medalha também será entregue aos salva-vidas. Às 20h45, hora do acidente, sirenes vão tocar e um concerto de música clássica acontecerá em uma outra igreja.
"Será um dia muito triste. A aproximação deste aniversário nos lembra este momento trágico, sentimos as mesmas sensações, a mesma tristeza", explicou o prefeito de Giglio, Sergio Ortelli.
Para ele, o mais comovente será encontrar as famílias das vítimas, "rever estas pessoas que nós acolhemos desde os primeiros instantes".
A companhia proprietária, Costa Crociere, organizará uma cerimônia indiana em Mumbai e Goa, uma outra muçulmana em Jacarta e Bali, uma budista em Xangai e duas missas católicas em Manila e Lima. Neste dia, as bandeiras em todos os seus escritórios serão hasteadas a meio mastro.
VÍTIMAS
Entre as 30 vítimas identificadas estão 12 alemães, seis franceses, seis italianos, dois peruanos, dois americanos, um húngaro e um espanhol. As duas vítimas não encontradas são um tripulante indiano e uma passageira italiana.
"Faz doze meses que acordo todos os dias com a esperança de receber uma ligação. Eu preciso de um túmulo para chorar", declarou o marido da italiana, Elio Vicenzi, ao jornal "La Stampa". "Eu não estou à procura de vingança, mas de justiça", disse.
A Promotoria de Grosseto, responsável pela investigação, se prepara para pedir o reenvio à Justiça de oito pessoas, incluindo oficiais do navio e diretores da Costa Crociere.
ACUSAÇÃO
O principal acusado aos olhos da justiça e do mundo é o capitão do navio, Francesco Schettino, que responderá por naufrágio, homicídios por negligência e por abandonar o navio. Ele não pode deixar a cidade onde reside sem permissão judicial.
A Justiça suspeita que o capitão navegou muito próximo da ilha e a uma alta velocidade. Além disso, é acusado de ter iniciado tardiamente o procedimento de evacuação e de ter minimizado a situação.
Na segunda-feira, o capitão queixou-se de ser "retratado como alguém pior do que Bin Laden", em uma entrevista ao jornal "La Stampa". Ele assegura ter salvado muitas vidas se aproximando da costa.
Ele também nega que tenha abandonado o navio, afirmando que "caiu" em um bote salva-vidas devido à "gravidade", já que o navio estava muito inclinado.
Fonte: Folha SP



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